terça-feira, 12 de junho de 2012

Turquia: Istambul

Não sei exatamente o que esperava de Istambul. Acho que uma cidade da Europa, com o glamour do Orient Express e um certo charme de 1001 noites.
Mas não foi bem isso que encontrei.
A cidade é bem grande e bem suja. Poluída, mal conservada e desorganizada. O trânsito não anda e é preciso estar sempre atento para não ser passado para trás.
Me senti na América Latina, com o agravante de não entender nada da língua.

Então não vale a pena? - Claro que vale!
Primeiro porque, para mim, todos os lugares merecem ser conhecidos. Depois de conhecer é que se pode definir como um lugar que merece ser revisitado ou arquivado no departamento dos "dei por visto".
Segundo porque é tão diferente do nosso habitual que, mesmo se fosse feio, valeria pelo choque (ou meio-choque) cultural.
Terceiro, porque é Constantinopla. E isso é o máximo!
E enfim, porque tem algumas coisas muito bacanas, que fazem a visita valer mesmo a pena.

Quando o tempo está claro, a beira-mar fica bem agradável. Há vários calçadões, com bares e restaurantes. E da maioria deles se tem uma boa vista das mesquitas e do palácio. Só é preciso ter muita paciência com a abordagem "intensa" dos vendedores, seja de comida, tapetes, lenços, passeios e tudo mais. Só estar ali, na beira do Bósforo e na boca do Mar Negro, já é demais. A cabeça vai lá para trás no tempo, muito atrás mesmo. Muita história... O começo de tudo.

O passeio de barco pelo estreito e a Torre de Gálata são fundamentais.
O barco vai bem pertinho da margem até a segunda ponte e dá para ver os detalhes das construções, com destaque para o Palácio Dalmabahce.

 

Do alto da torre se tem uma visão geral da cidade, o que é sempre interessante para se localizar. Caminhar da torre até a Praça Taksin é um ótimo programa. Primeiro por uma ruazinha linda, com muita lojas de instrumentos musicais, e depois pela rua Istiklal.  Apenas para pedestres e bondes, pelo menos em teoria, é uma rua comercial movimentada e com muitos cafés, restaurantes, casas de câmbio, confeitarias e uma filial da sorveteria Mado, considerada a melhor da Turquia.


A parte histórica é o ponto alto da cidade, com o hipódromo romano, o Palácio Topkapi, a Basília de Santa Sofia, a cisterna e o Museu Arqueológico.


A Mesquita Azul é imperdível e o harém do palácio vale o ingresso cobrado à parte. O museu tem peças bem interessantes, mas não se compara aos grandes museus europeus.


Bem ali pertinho fica o Gran Bazar, um mercado coberto com mais de 4 mil lojas. Tapetes, jóias, cerâmicas, vidros coloridos, chás, especiarias e toda sorte de quinquilharias estão lá a disposição, juntamente com os chatíssimos vendedores. Acho que esta abordagem "agressiva" dos comerciantes em geral é o pior de Istambul, assim como o costume de negociar o preço. Embora no final seja quase sempre vantajoso (obviamente que para eles também), todo o processo é muito aborrecido e, para mim, totalmente dispensável.
Eu gostei mais do bazar de especiarias, ou Bazar Egípcio, que apesar do nome também vende de tudo.


Do glamour do Orient Express não se encontra mais nada. O hotel Pera Palace está lá, mas sem qualquer alusão àquele período. Na estação ferroviária há um pequeno museu ferroviário e em uma das vitrines estão expostas louças, talheres e uns poucos objetos. Quem melhor explora a imagem do mais famoso trem do mundo (pelo menos para mim) é um restaurante homônimo, na plataforma. Lá existe um mural com algumas notícias de jornal e se pode comprar reproduções dos pôsteres da época.


O que há de mais exótico na cidade é o som, com o canto dos pregadores nas mesquitas, várias vezes ao dia, no alto dos minaretes. E, em seguida, o cheiro. Os temperos e chás que perfumam o ar e a calda dos doces que atiça o paladar...

Os doces turcos merecem menção especial. São muito gostosos, embora muito doces também. A variedade é imensa e a maioria tem massa filo, avelãs ou pistache entre os ingredientes. Meus preferidos são Sekerpare e Baklava e gostei muito das docerias Kazim e Sütis.


Fora isso, há entradas deliciosas como humus, coalhada com hortelã, uma pasta deliciosa de tomates, sempre acompanhado de pão balão ou sírio.


O kebab é um prato bastante popular e nada mais é do que carne grelhada, de diversas maneiras. O döner kebab é aquele que gira num espeto vertical e um que gostei muito foi o testi kebab. Trata-se de um ensopado de carnes com vegetais cozido em um tipo de pote de barro que depois é rompido com uma espada, num espetáculo bem para turista. Mas é uma delícia, só não sei porque chama kebab se é cozido... Também são bastante comuns almôndegas, kafta e outros pratos com carne moída, como mousaka - aquela delícia, supostamente grega, feita com carne moída, pimentões e berinjelas.


Berinjelas e pimentões são muito usados (ficam deliciosos recheados), assim como iogurte, queijo e azeitonas. Achei bem saborosos e perfeitos para um lanche rápido o lamahcun, espécie de pizza, a pide, outra espécie de pizza, e o gözleme, mais parecido com um crepe ou uma tortilla mexicana.


Para beber, o mais usual é café (não gostei) e chá (normal) turcos. mas o grande lance mesmo é o suco de laranja (maravilhoso!) e o chá de maçã... Hummmmmmmmm...
O fato é que não dá para passar fome na Turquia não. Como se, para mim, fosse difícil achar delícias para comer em todo lugar... Mas confesso que, depois de vários dias, aquela exuberância de temperos me deixou com uma azia 24 hs.
Para quem não está muito familiarizado com os nomes (quase todo mundo) e tem medo de errar, há restaurantes daqueles em que a comida fica exposta, você escolhe e aponta e o copeiro vai montando o prato.


Para quem come de quase tudo, dá para arriscar a la carte. Nós gostamos muito do Hacin Baba, bem pertinho da Praça Taksin, e do Konyali, que fica no Palácio Topkapi. A comida é normal, mas a sobremesa e a vista valem bastante.
Na Ponte Gálata tem um mundo de gente pescando e um mundo de restaurantes que servem peixes e lulas fritas. A paisagem é interessantíssima, com aquele monte de caniços nas balaustradas.


Em Karakoy também é cheio de restaurantes neste estilo. Nós comemos em um deles (Paradis - Afrodite) e era bem ruinzinho. Não sei se são todos assim ou se tivemos azar.


O último aspecto que vou comentar é a quantidade de mulheres usando hijab. Eu achava que depois de todas as polêmicas sobre a proibição do uso do véus islâmico nas universidades turcas, este assunto estivesse superado. Mas a verdade é que eles estão em toda parte. De todos os tipos: véu, lenço, shiraz, nikab, chador, e até mesmo burca...
É incrível, mas pesquisas indicam que 60% das mulheres turcas usam o hijab diariamente. Assustador!
E também surpreendente que a cidade turca (das que eu fui, claro) onde se percebe maior "adesão" aos véus seja Istambul...
Felizmente, todas as mulheres com as quais interagi na Turquia estavam com a cabeça descoberta, embora fossem muçulmanas. E aí, só tive a versão delas sobre este costume. Segundo me informaram, apenas as classes de menor poder aquisitivo e nível cultural insistem na vestimenta. Mas é um percentual muito grande, não é mesmo?

Leia aqui para entender um pouco sobre os tipos de véus islâmicos.


sábado, 2 de junho de 2012

Poesia e beleza

Uma delícia assistir Um homem, uma mulher, de Claude Lelouch.

Mais um filme sobre uma história de amor. Com algumas dificuldades a vencer, para dar mais tempero. Neste caso, entre dois jovens viúvos com filhos pequenos. Ele, piloto de carros de corrida e ela, diretora (?) de cinema.

Ou seja, nada demais. Se não fosse a incrível beleza e a poesia do filme.


Por uma trilha sonora excepcional, com direito a Vinícius cantando Samba da Bênção, vamos sendo conduzidos pela história de Jean-Louis e Anne. 

A direção é de uma delicadeza impressionante e a fotografia é de babar.

A descoberta dos personagens vem devagar, no mesmo ritmo em que eles se conhecem, se envolvem e se afastam do passado. 
Com algumas sequências em preto e branco e outras coloridas, de forma a diferenciar o momento presente das lembranças, o filme revela, sutilmente, os pensamentos e sentimentos do casal.
São gestos, palavras subentendidas, olhares e hesitações em enquadramentos perfeitos. Pura poesia.


É um filme lindo, acho que o mais bonito de que tenho lembrança. Daqueles que dá vontade de que o tempo pare para poder continuar desfrutando daquela beleza. As imagens de Anne no pier com a filha, de Jean-Louis dirigindo na praia, do homem passeando com o cachorro no calçadão são paralisantes.


A combinação da fotografia com a trilha sonora. A poesia e a beleza das imagens. A intensidade transmitida com tanta delicadeza. O cuidado com os detalhes. São os pontos fortes deste filme que proporciona momentos de total felicidade.

sábado, 12 de maio de 2012

24 horas em Amsterdam

Amsterdam foi uma cidade que agradou logo na chegada. Eu não curto janela de avião, não presto atenção nenhuma na paisagem e chego a ficar incomodada com a claridade, mas lá foi diferente. Não sei porque olhei para fora na hora da chegada e vi uma linda paisagem. Campos recortados, com estradinhas e canais, flores coloridas e muitos moinhos. Um encanto!
No aeroporto, também foi ótimo. Bem estruturado e sinalizado, com tulipas lindas na florista e nas jardineiras em frente. O shuttle funcionou bem: prático, rápido e eficiente. Excelente começo.


Apesar dos planos de, à tarde, visitar o Museu Van Gogh e a Casa de Anne Frank, o tempo que tínhamos disponível era tão pouco e o passeio matutino foi tão bom que optamos por passar o resto do dia batendo perna na cidade. Caminhamos muito e andamos de barco, no sistema hop-on hop-off.


Os canais são lindos e fotogênicos, com as casas-barco, as pontes, as margens com casinhas bacanas e belos jardins. O barco não foi tão legal, por ser fechado e fundo. Como eu não sou exatamente alta… ficava desconfortável para conseguir ver tudo.


O centro é como qualquer cidade grande: feia, suja e bastante movimentada. A Dam não tem nada de atraente e a Damrack... bom, quem sabe numa próxima vez consiga me conquistar. Também não vi muita graça no Red Light District, talvez porque fosse de dia. A loja Condomerie merece a visita, nem que seja para olhar a criativa vitrine.


No mais, a cidade é deliciosa. Perfeita para aproveitar. Sozinho, a dois ou em grupo...


As bicicletas estão por toda parte. Os estacionamentos tem vários andares e ficam tão cheios que deve ser difícil localizar a sua depois…


As tulipas também estão espalhadas na cidade inteira: de todas as cores e tamanhos, abertas ou em botão, em canteiros monocromáticos ou coloridíssimos. São absolutamente lindas! Tem até o Museu da Tulipa, se alguém se interessar.


O Vondelpark é ótimo para passear, uma graça. Nosso hotel ficava ali do lado e a localização me agradou bastante. A região é das mais bonitinhas. Tranquila mas com vários cafés e restaurantes, fica ao lado dos Museus Van Gogh e Rijks, cujo prédio é bem bacana.


Também gostei da Praça Rembrandt e do bairro Jordann, mas o que me enlouqueceu foi o mercado de flores. Muito legal!


As tulipas estavam por E$10 o maço com 50. Incrível, não?
E tinha também tulipa de madeira, de seda… Tudo lindo. Fora as outras flores e ervas, os artigos para jardins, as sementes e os bulbos.
Nem acredito que consegui sair de lá sem comprar nada. Foi difícil me convencer a não trazer um saco cheio para plantar em casa.
Sei que é proibido, mas para falar a verdade... no dia seguinte já estava totalmente arrependida desta obediência.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Lisboa outra vez!

Algumas coisas podem ser boas e ruins ao mesmo tempo!
Como o voo da TAP Brasília-Lisboa. 
É o único que vem direto de Brasília para a Europa, mas eu gostaria de, às vezes, não "precisar" voar com a TAP. Não aguento mais as conexões em Lisboa, que podem durar um dia inteiro. Ou uma noite.
O aeroporto é uma chatice, sem entretenimentos. A cidade é uma velha conhecida, que não estimula visitas repetidas com frequência e não apresenta nada novo, pelo menos que eu saiba.
Mas a comodidade de um voo direto acaba não deixando muita escolha. A não ser quando dá para sair de São Paulo direto para o destino final, sem grande aumento no tempo de viagem ou no custo.
Foi assim que mais uma vez viemos bater em Lisboa. O destino inicial era Bruxelas, de onde iríamos para Amsterdam e, depois, para Turquia e Grécia. Graças a mais uma paralisação dos controladores de voo, a escala de uma hora em Lisboa virou uma espera de 7 horas e para um destino diferente: Amsterdam .
Aí mais uma vez o lado ruim: difícil passar pelo aeroporto de Lisboa sem um contratempo e o consequente aborrecimento com a TAP.
E no tédio absoluto do aeroporto de Lisboa, terminei o livro que estava na mala de bordo e decorei os textos do guia turístico sobre TODAS as escalas do percurso.
Enfim, Amsterdam! Depois, de trem, para Bruxelas, de onde saía nosso voo para Istambul.

Na volta de Atenas, um dia inteiro em Lisboa e dê-lhe a caçar alguma coisa nova para fazer.
Tentamos uma volta no bonde 28, mas foi impossível: lotado e com filas grandes em várias paradas.
Desistimos e fomos bater perna, tomar café com pastéis de nata, olhar as janelas.
Depois, um queijo da serra com cerveja, caracóis e um bom bacalhau.
Isso Lisboa sabe oferecer como ninguém!